Tempo, tempo, tempo, tempo…

Bom, hoje é quinta-feira, dia 29 e está, novamente, acabando o semestre. Notaram como o tempo tem andado muito mais rápido. Sei que parece clichê de tia velha, mas é verdade! Estamos cada vez correndo mais, pra fazer cada vez menos. É incrível. Excesso de informações, de atividades. Parece que é pecado a gente parar para descansar.

 

Em casa sempre foi assim. Era só me ver deitada na minha cama, depois de fazer a lição de casa no colégio, que já vinha a cobrança “Vai ficar aí sem fazer nada? Não vai lavar aquela louça da pia?” Sempre tinha alguma coisa. Nunca havia uma paz real, a não ser que a casa estivesse de fato vazia. Era tão bom estar só em casa, porque eu poderia simplesmente descansar.

 

Final de semana passado eu viajei com a minha irmã e minha prima. Nós saíamos todos os dias e, no último, me deu uma vontade de ficar deitada olhando para o teto! Sabe, ócio mesmo. Elas já tinham dito “detesto ficar em casa sem fazer nada”, as duas são mesmo assim, eu conheço ambas muito bem. E aí eu me senti culpada por ter esse pensamento, com tanta coisa acontecendo no mundo lá fora.

 

Lá fora. Este é o verdadeiro problema. O mundo lá fora sempre nos parece mais atrativo do que o mundo aqui dentro. Muitas pessoas não gostam de parar porque, se pararem, vão ter que olhar pra si mesmas e aí, é muito, muito perigoso. Vai que eu acho uma pessoa que eu não gosto, um situação que eu odeio, mas que eu não estou olhando por “falta de tempo”. Vai que eu me encontro lá dentro de mim, já que eu não tenho a menor idéia de quem eu sou, e aí a coisa vai feder.

 

Eu nunca tive problemas com isso. Adoro ficar sozinha, adoro ficar parada (não o tempo todo, veja bem) mas adoro tirar uns minutos pra ficar sozinha. Adoro escuro. Adoro as minhas sombras que ficam batendo o maior papo comigo e me curam. Ficar assim, parada, te faz olhar pra dentro, para o riquissimo mundo que temos dentro de nós. Olhar para o nosso infinito particular.

 

E talvez isso assuste todas as pessoas. Todas incluindo eu. E aí um dia você está querendo descanso e se sentindo culpada por conta disso. Não é pecado! Em países como a Espanha e Portugal, temos a ciesta. Logo depois do almoço ninguém se mexe, ficam todos lá, paradinhos, deitados e descansando. Coisa muito diferente do Brasil e sua cultura praticamente copiada da americana, onde parar é proibido. O show tem sempre que continuar.

 

Mas eu não me importo. Sou a favor do famoso ócio criativo. É de onde costumam vir as minhas melhores idéias. Já percebeu como temos ideias ou lembramos de compromissos esquecidos quando estamos tomando banho ou dirigindo? Sim, porque aí você simplesmente se distrai com o banho, faz uma coisa meio automática, e aí tem ideias ótimas porque parou de se preocupar.

 

Preocupação só leva a mais problema e mais preocupação. Ela não nos servem para nada a não ser ver nossa vida passar sem nenhuma graça!

 

Então, vou lá tirar meu cochilo, que está quase na hora do almoço, está bem? E se você achar isso um absurdo, sugiro que repense suas prioridades! Só sugiro!