Pessoas tóxicas x pessoas nutritivas 1

Estes termos não são meus, que fique claro. Eu li isso em algum lugar perdido pela internet, não sei mais onde, nem como e nem por que. Mas eles ficaram na minha cabeça e, nos últimos dias, vieram bastante à tona nas minhas conversas com amigos e no meu trabalho com meus pacientes. E aí morre uma cantora americana maravilhosa, que eu particularmente adoro, que começou a se acabar depois de conhecer um homem, casar com ele e se afundar em drogas até a ponta dos cabelos. Witney Houston e sua voz divina, se calaram esta semana, por conta de uma combinação perigosa: baixa autoestima, paixão avassaladora e drogas. Não vou entrar no mérito da questão. Independente dele, ela que se deixou, até por imaturidade psicológica, envolver com as drogas. E chega um ponto, neste universo, que algumas pessoas simplesmente perdem a capacidade de voltar. Sei que ela lutou contra, que ela tentou se recuperar, que encarou várias reabilitações, mas elas, infelizmente venceram. Não foi overdose, pensam em uma combinação de antidepressivos com álcool, que, num organismo debilitado, são fatais. Como foram. Enfim!

 

Aí a gente se pergunta: o que pode fazer escolher a pessoa errada, né. De fato, eu acredito muito nisso. Acredito que as pessoas são só as pessoas, em primeiro lugar, e tenho uma fé inabalável nas mudanças que cada um pode promover em si mesmo. Principalmente, quando sabe que tem essa capacidade. Mas somos muitas vezes imaturos e arrogantes para perceber as boas ou más intenções dos outros. Ingênuos até, com pouca malícia e muita vontade de amar. A qualquer preço e a qualquer custo.

 

As pessoas, repito, são o que são. Mas dependendo de nossa maneira de lidar com uma situação, elas nos serão tóxicas ou nutritivas. As pessoas nutritivas são aquelas que estão, na maior parte do tempo, de bem com a vida. Que levam as coisas numa boa, que tentam partilhar com os outros a alegria e a felicidade. Que se defendem sim, mas que mantém a pureza de acreditar no ser humano. Que tem uma coisa muito simples chamada princípios. E por princípios eu quero mesmo dizer berço.

 

Não estou falando em nascer em berço de ouro, numa família rica, nada disso. Estou falando de um pai e uma mãe (ou qualquer outro tipo de constituição familiar) onde haja respeito pelos outros seres humanos e por si mesmo. Quem não se respeita, não tem condições de respeitar o próximo. É o caso do garotão que saí a 120 por hora com seu carro, bêbado, entra na contramão e mata uma família que vinha de uma festa infantil. Se isso não é falta de respeito por si, não sei o que é. Afinal de contas não está colocando só a vida dos outros em risco, mas a sua própria. Esta é uma pessoa tóxica.

 

As pessoas tóxicas, para mim, são as sem caráter e sem princípios. Confundem o conceito de se respeitar, de ter limites e de manter um egoísmo saudável, como o mundo girar ao redor do próprio umbigo. São pessoas que gostam de mentir, só pra ver se o outro vai cair mesmo. Pessoas que usam, abusam, exploram. E nem vou entrar no mérito de pessoas que fazem pior (matar, roubar), mas de pessoas que, aqui na cozinha, convivem com a gente no trabalho, nos estudos, nos amores. Pessoas que acham que o outro é igual a uma de suas figurinhas de um álbum, que eu uso, brinco e jogo fora. Pessoas absolutamente sem sentido de nada.

 

E como eu posso falar que isso depende também de nós? Claro, porque é você quem atrai as pessoas para perto de si mesmo. Lembro-me de uma época de minha vida, há alguns anos, em que atrai uma leva destas pessoas. Só descobri isso anos depois, depois de uma tonelada de mentiras, de enganações, de descaso. Demorou mas a verdade toda apareceu límpida. E eu me culpei, muitos anos, pensando em como eu tinha permitido a entrada daquelas pessoas tóxicas na minha vida. Demorei para me recuperar do choque, demorei pra me reafirmar como pessoa, mas, como a luz sempre vence as trevas, estou aqui, linda e morena, para contar a história, não é mesmo? Isso acontece com as pessoas tóxicas. E isso aconteceu comigo porque, talvez, eu não estivesse numa boa vibração, estivesse tóxica mesmo, ou em condições de enxergar de verdade falta de respeito que eu, na época, considerava coisas normais. Por isso que eu digo que baixa autoestima tem grande parcela de culpa nisso tudo.

 

Isso acontece muito nos relacionamentos amorosos. Uma pessoa conhece alguém e, a princípio, acredita no que ela diz. Não porque ela seja ingênua, mas porque a pessoa lhe interessou e, sinceramente, não se vê motivo pra mentiras (não nos dias de hoje). As coisas acontecem, as mentiras continuam, mas fingimos que não notamos. Não notamos as pequenas coisas, não damos muita importancia e as pessoas tóxicas vão se espalhando, soltando seus tentáculos ao redor da sua vida, até que um dia, tudo vem à tona. A pessoa não era quem achávamos (ilusão) e nos decepcionamos totalmente. Mais uma decepção para o nosso hall da fama.

 

Mas como conseguimos identificar isso tudo? Como conseguiremos saber se uma pessoa é tóxica ou nutritiva. Prestando muita, muita atenção. Seja um investigador de si mesmo e do outro, o tempo todo. Saiba que o planeta Terra tem de tudo e que precisamos manter a nossa firmeza, e a nossa energia elevadas para não cair nas tentações de existem por aí.