Os mosteiros

Os mosteiros

As vicissitudes que ameaçavam o Ocidente nos séculos IX e X davam margem a enormes incógnitas e não menores apreensões. Com a desagregação do império carolíngio e a intensificação das investidas bárbaras, a sociedade ficara enfraquecida e minada em seus fundamentos. As pessoas viviam na Idade das Trevas.

Tomadas de insegurança e pavor, as populações procuravam um refúgio junto aos senhores feudais, homens de armas que se comprometiam a protegê-las dos perigos em troca de seus serviços. Em sua maioria esses senhores feudais estavam longe de ostentar uma conduta moral aceitável para a época. Valendo-se da anarquia para expandir seus domínios, eles viviam em rivalidades sangrentas uns contra os outros.

Faltava à Europa uma força capaz de fazer frente aos erros disseminados. Para surpresa de todos, essa força foi erguida no silêncio de um claustro onde monges pobres, obedientes e castos, iniciaram uma ousada obra renovadora.

A Borgonha, uma linda região vinícola localizada no centro-leste da França, foi o centro de uma comunidade monástica, na pequena cidade de Cluny. Os monges daquele lugar, com um grande entusiasmo, dedicaram-se ao trabalho, ao estudo, às obras de caridade. Aos poucos eles construíram 1.500 mosteiros por toda a Europa. Ali reinavam a paz e a ordem, pois os monges se entregavam a fecundos trabalhos.

Os aflitos e os desesperados batiam às portas da abadia para receberem um sábio conselho; os famintos ganhavam alimentos para não perecerem. Os enfermos tinham um tratamento e uma hospedagem garantida. Anos mais tarde alguns daqueles mosteiros foram transformados em universidade.