Decisões de ano novo

Por um longo tempo da minha vida eu achei que deveria ser alguma coisa. Aliás, melhor explicando, que eu era alguma coisa que eu não sabia e que deveria descobrir. Essa “coisa” que eu era me faria completamente feliz e eu nunca, nunca mais precisaria mudar ou precisaria de coisa alguma na vida, porque eu teria me encontrado e, consequentemente, encontrado a felicidade.

 

Sei lá, parecia mesmo isso olhando de fora. Eu via tantas formas de “ser” que achei que eu deveria ser. Até nomeei meu espaço esotérico uma vez de “Ser harmonia”. Mas aí o nome já estava patenteado e eu não pude continuar com ele.

 

Pensando bem, essa já era uma lição do que eu andava vendo torto, né? O negócio se chamava “ser” e precisou de mudança! Até o verbo precisou ser mudado. Decidi não colocar nome nenhum e usar o meu mesmo. Que na época era Andrea Teixeira. E que depois passou pra Andrea Pavlovitsch, que é o sobrenome da minha mãe, mas que eu não tinha no meu nome. Mas agora eu tenho, quase, porque entrei na justiça pra colocar…enfim. Só pra mostrar como a mudança é a única constante.

 

Até que este dias eu ouvi uma frase. “Você não é nada. Você é um processo de evolução”. Confesso que não foi a primeira vez que eu ouvi aquilo mas desta vez, me pareceu tão verdade. Parece que finalmente a minha cabeça se abriu e entendeu aquilo que uma maneira muito nova. Caramba, se eu não tenho que achar o que é este ser, porque que procuro tanto?

 

Sempre achei que um dia eu iria acordar e não precisaria mudar. Aí um dia eu acordei sim, mas pra perceber que mudar é a única coisa que nunca vai mudar. Eu não sou inacabada, eu não sou uma metade que precisa ser completada. Não preciso evoluir, não preciso me encontrar, não preciso me autoconhecer. Osho fala que a mudança é o caminho, mas eu não entendia até aquele dia. Lembro até que eu estava no carro, entrando no meu prédio e a chuva caía. O dia em que eu desisti de ser melhor.

 

Ser mellhor é aquela coisa de sempre querer e exigir mais e mais de si mesmo. Exigir que você seja espiritual, que você ajude as crianças carentes e os animais sem abrigo. Que você compreenda que as pessoas são o que são e que entenda que o transito é caótico porque as pessoas não tem evolução espiritual. Às favas com a evolução.

 

Claro que eu estou em evolução. Estou viva! Sou só um espírito caminhando na eternidade, claro que eu acabo aprendendo. A vida não é uma corrida de obstáculos onde você sempre precisa ser mais do que o outro, e o pior, ser mais do que você mesma ontem! Culpa, raiva de si, nascem daí: “Meu Deus, como eu não enxerguei que aquele cara estava mentindo? Como eu não percebi que minha mãe estava doente? Como eu engordei de novo?” Como se aquilo fosse um ponto de restauração do sistema e, se você cometer o mesmo erro, estará voltando no tempo!

 

Mas não tem tempo! Einstein já disse isso, o tempo não existe, o espaço não existe e com o que nós lutamos tanto? Com o que estamos nos esforçando, e nos forçando e nos deixando murchos e sem vida? Qual é este ponto de perfeição que todos insistimos em chegar como se ficasse numa outra dimensão?

 

As religiões -algumas- dizem que só seremos felizes quando morrermos e formos pro céu. Sinceramente, acho que isso é um bom motivo pra um suicídio. Viver não é bolinho e todo mundo sabe disso. Mas se não conseguimos nos dominar e dominar a mente cheia de abobrinhas por aqui, você acha mesmo que morrer resolve? Na verdade, só piora o problema.

 

Pois bem, aí eu lá, na chuva, entrando no meu prédio numa terça-feira decidi: eu não quero mais melhorar. Simplesmente porque eu não preciso melhorar. Não posso melhorar o que Deus criou, não posso melhorar Deus e eu sou Deus. Existe um Deus aqui dentro cheio de idéia, cheio de projetos, doido pra colocar isso tudo no mundo e ele não pode ser imperfeito porque, oi?, ele é Deus! E eu com minha mania de me achar imperfeita só atrapalho o trabalho dele. Então vou parar de me preocupar em ser mais e mais a cada dia e vou curtir.

 

Sim, curtir. Curtir um dia de sol, um dia de chuva. Curtir e aproveitar o meu trabalho, que eu adoro. Curtir e aproveitar a minha família que eu amo. Curtir e aproveitar as coisas e as pessoas boas que me circundam. Parar de me preocupar no porquê todo mundo dirige mal, porquê o salário dos senadores são estapafúrdios, porque isso ou aquilo. Se eu posso fazer a minha parte pra contribuir, pois bem, vou lá. Se eu posso atender uma pessoa e ela se melhora com o que eu passo para ela, ótimo. Senão, pois é, não tenho culpa nenhuma.

 

Não tenho culpa, não nasci na culpa. Não sou fruto de pecado nenhum, sou fruto só de amor. Um amor que durou uma vida, mas que poderia ter durado um segundo e que bom que aconteceu porque eu tive a chance de vir. De vir pra Terra e curtir. E se ela precisar da minha ajuda pra reciclar o lixo eu vou ajudar. Por prazer. Por curtir, por me sentir bem com isso.

 

Não vou mais me dar uma lista de obrigações pela manhã e encarar tudo como se fosse a minha necessidade. Não vou mais ver a vida como uma sequência de tarefas que não servem pra me fazer mais feliz. Agora, na virada do ano, vou deixar em 2010 as tarefas que não me fazem feliz, e vou angariar novas coisas legais que eu ame. Porque amor é sim a única energia que move as coisas, porque amor é Deus. E então eu não preciso mais buscar nada do lado de fora de mim. Posso fazer só por prazer. Essa é a minha única promessa de ano novo. E fora todas as outras listas!

 

P.S. Terminando de ler isso, descobri que isso é a verdadeira aceitação!