Eu tenho 1,72 e muitos mais quilos do que reza a cartilha da boa alimentação
e da saúde. Tenho 5 tatuagens espalhadas pelo corpo, apesar de serem discretas
porque eu prefiro mesmo assim. Gosto de saltos, de blusas decotadas e muitas,
muitas cores no meu guarda-roupas. Não tenho jeito de moça casamenteira aos 32 anos
(apesar de toda a minha família ser assim e eu aparentar até menos idade) e não
sou de guardar muito dinheiro (está bem, eu até gasto demais em algumas ocasiões).
E sempre, sempre lutei contra tudo isso em mim.
Acho que nunca me conformei de ser assim. Meio maluca. Meio despirocada. Gostando
sempre dos caras mais estranhos da escola, me envolvendo em histórias malucas, em
mentiras deslavadas. Fugindo da aula no meio para passar na frente da casa de um
carinha que eu estava a fim (e atire a primeira pedra que mulher que nunca fez isso)!
Já fiz loucura para emagrecer, tipo andar o dia inteiro e comer dois tomates e,
mesmo assim, isso sou eu.
É muito comum a gente querer ser amada por todos. Quer que todo mundo (nossos
amigos, clientes, pai, mãe, professores e até o cachorro) nos ame incondicionalmente.
E ai daquele que resolver nos apontar um defeito, uma coisa que não gostam em nós.
Algumas pessoas reagem brigando. Eu, no entanto, reajo achando que, realmente, ele
está certo. Aquilo é mesmo um defeito horrível, eu tenho que mudar aquilo em mim o
mais rápido possível e pronto. Começo a me colocar para baixo, usar a minha força
contra mim, me condenando com frases como "tá vendo, se você fosse mais assim,
mais assado...". As frases viram mantras que te acompanham pelo shopping center
(principalmente na hora das compras), pelo supermercado, na mesa de café-da-manhã.
Com o tempo você passa a acreditar que é mesmo verdade e aí, adeus auto-estima.
A auto-estima baixa nada mais é do que você não gostar de você, do jeitinho que
você é! E não estou falando só de pequenos defeitos físicos, tipo não ter a barriga
tanquinho da Fergie (ai que inveja) ou os "olhos de cigana dissimulada" da Capitu.
Estou falando daquilo que é característico seu e diferente do resto. Imagine que
você tivesse nascido numa família de hippies, descendentes diretos de Woosdtock, e
resolvesse virar um yupi da melhor categoria, apaixonado por tecnologia e decoração
de interiores. Imagina a reação da sua família e quantas vezes eles se perguntariam
o que fizeram de errado para ter uma pessoa assim na família deles. É a mesma coisa,
só que é mais difícil de ver quando estamos falando da maioria. Eu tenho esse jeito
doido, numa família que é super tradicional (quase católica-apostólica-romana) e é
complicado ser amada por uma família inteira que não tem nada que ver com o seu jeito.
Não que eles estejam errados e eu certa! Não, pelo amor da Deusa. Os dois estão certos,
desde que eu esteja seguindo a minha alma, a minha verdadeira força e o que eu sou de
verdade, e eles seguindo a deles. Talvez surjam conflitos? Sim,
mas a vida é isso aí! Talvez não.
Na verdade, as pessoas realmente queridas por todos são aquelas que são elas mesmas.
Já percebeu como você adora aquela sua tia maluca que casou com um milionário e mudou
pra França? E aquele seu primo que apostou tudo numa profissão que te fez rir duas
horas e hoje está nadando no dinheiro? Gostamos da energia das pessoas verdadeira. Aquelas
pessoas gostosas, fofas, legais que te fazem fazer o que elas quiserem na hora. Isso é
porque a energia delas está emanando direto da alma. Não tem máscaras, não tem atalhos.
Você simplesmente sente aquilo como uma coisa boa, te hipnotiza às vezes, te faz ficar
gostosa também. Todo mundo quer essas pessoas por perto, mas, por incrível que pareça e
por mais que ela goste, ela não precisa de todo mundo perto. Ela pode muito bem se fazer
uma incrível companhia e ser feliz sozinha. Não existe, aqui, a solidão, mas sim a
solitude, de estar com você!
Então, que tal rever isso na gente. Fazer uma lista, como essa que eu fiz acima, daquilo
que você não aceita realmente em você. Aquelas coisas que você acha que deveriam ser muito
diferentes para serem reais. Depois é só aceitar. Baixar do seu orgulho (orgulho no
sentido que querer ser o que não é) e aceitar. "É, sou meio cafajeste mesmo", "É, não gosto
de tomar banho quando acordo", sei lá. Qualquer coisa que acredita que deveria ser diferente,
só que porque alguém te disse isso e você comprou a idéia. Depois se ame! Aí sim você terá
condições verdadeiras de se amar. E quando as criticas chegarem, e elas chegarão,
dê as costas. Dê de ombros e diga para si mesmo "eu sou assim"! Tem que ter muita coragem
para amar a si mesmo e para aceitar o que você é! Vamos começar agora?